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Um antigo domínio borgonhês com vinhos muito procurados
O Domaine Charles Noëllat, figura emblemática da Borgonha, marcou a história vitivinícola de Vosne-Romanée por sua elegância e seu excepcional saber-fazer. Reconhecido por suas prestigiosas cuvées provenientes dos maiores terroirs, como Romanée-Saint-Vivant e Richebourg, este domínio soube capturar a essência dos climas borgonheses em vinhos de rara fineza. Embora suas parcelas tenham sido integradas ao Domaine Leroy em 1988, o legado do Domaine Charles Noëllat perdura através de garrafas tornadas lendárias, prezadas por amadores e colecionadores do mundo inteiro. Adquirir um vinho do Domaine Charles Noëllat é oferecer-se uma parte da história, uma viagem sensorial ao coração da Côte de Nuits, onde cada gole revela a riqueza de um patrimônio vitivinícola secular.
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A história do Domaine Charles Noëllat se enraíza no século XVII, quando a família Noëllat, estabelecida em Meuilley perto de Nuits-Saint-Georges, já cultivava a vinha com paixão. É no século XIX que Félix Noëllat estabelece as bases do domínio ao se instalar em Vosne-Romanée, terra de eleição dos grandes crus borgonheses. Seu filho, Charles Noëllat, nascido em 1868, e sua esposa Anne-Marie, apelidada de Laure, fundam oficialmente o domínio no início do século XX. Apesar dos tumultos da Primeira Guerra Mundial, onde Charles é mobilizado, Laure demonstra uma coragem notável ao gerenciar sozinha o vinhedo e adquirir novas parcelas, incluindo a ilustre Romanée-Saint-Vivant, situada logo abaixo da mítica Romanée-Conti.
Nos anos 1930, o domínio se estende a cerca de 25 hectares, reunindo denominações prestigiosas como Richebourg e Grands-Échezeaux. Precursor, o Domaine Charles Noëllat se distingue pelo engarrafamento direto no domínio, uma prática rara na época em que os vinhos eram majoritariamente vendidos em barris aos comerciantes. Essa iniciativa permitiu preservar safras históricas, hoje verdadeiros tesouros para os colecionadores.
No entanto, a história do domínio é também marcada por provações. O falecimento de Charles em 1939, seguido do de seu filho André em 1941, deixa Laure e sua filha Geneviève no comando durante a Segunda Guerra Mundial. Sua determinação permite ao domínio superar esses períodos turbulentos. Nos anos 1940, Christian Moreau, esposo de Geneviève, insufla um novo impulso ao consolidar a reputação dos grandes crus do domínio.
Infelizmente, divergências familiares nos anos 1980 levam ao parcelamento das vinhas. Em 1988, a maioria do vinhedo é adquirida por Lalou Bize-Leroy, co-gerente do Domaine de la Romanée-Conti, para integrar o prestigioso Domaine Leroy. Se o Domaine Charles Noëllat não existe mais como entidade independente, seu nome ainda ressoa graças à Maison Charles Noëllat, relançada em 2013 por Stéphane, bisneto de Charles, e seu amigo Antoine, que perpetuam o legado através de uma seleção rigorosa de safras antigas e vinhos de exceção.
O Domaine Charles Noëllat tirava sua grandeza de suas parcelas situadas nos terroirs mais prestigiosos da Côte de Nuits, notadamente em Vosne-Romanée. Esses solos argilo-calcários, típicos da Borgonha, ofereciam condições ideais para produzir vinhos de uma complexidade e elegância incomparáveis. Entre as joias do domínio figurava uma parcela de Romanée-Saint-Vivant, um grand cru vizinho da Romanée-Conti, reputado por seus vinhos de uma fineza e profundidade excepcionais. As denominações Richebourg e Grands-Échezeaux, também no coração do domínio, contribuíam para a reputação de suas cuvées.
O domínio privilegiava uma abordagem respeitosa do terroir, limitando sua expansão para se concentrar na qualidade em vez da quantidade. Cada parcela era trabalhada com cuidado, numa abordagem quase artesanal, onde a observação e a escuta da vinha eram primordiais. Essa filosofia permitia que o terroir se expressasse plenamente, dando origem a vinhos com personalidade única, marcados por seu equilíbrio e notável potencial de guarda.
A vinificação no Domaine Charles Noëllat era uma arte dominada, aliando tradição e inovação. As uvas, provenientes de parcelas de exceção, eram colhidas em perfeita maturidade para preservar sua riqueza aromática. As vinificações ocorriam em barris de carvalho, segundo técnicas tradicionais que respeitavam a singularidade de cada clima. Essa abordagem minuciosa permitia revelar a pureza da fruta enquanto desenvolvia aromas complexos e harmoniosos.
O domínio se distinguia também por sua prática precoce de engarrafamento, desde os anos 1920. Ao contrário da maioria dos produtores da época, que vendiam seus vinhos em barris, Charles Noëllat escolhia controlar todo o processo, da vinha à garrafa. Essa decisão visionária permitiu preservar safras raras, hoje procuradas por sua qualidade excepcional e sua capacidade de atravessar as décadas.
As cuvées do Domaine Charles Noëllat eram joias da Borgonha, encarnando a excelência dos grandes crus da Côte de Nuits. Entre as mais emblemáticas figuravam:
Romanée-Saint-Vivant Grand Cru: Proveniente de uma parcela mítica situada sob a Romanée-Conti, esta cuvée era o carro-chefe do domínio. De uma elegância rara, oferecia aromas de frutas vermelhas maduras, especiarias doces e notas florais, com uma estrutura sedosa e um potencial de guarda excepcional. Cada garrafa era um convite a descobrir a quintessência do terroir de Vosne-Romanée.
Richebourg Grand Cru: Este vinho, produzido em um dos climas mais prestigiosos da Borgonha, se distinguia por sua potência e complexidade. Suas notas de cassis, violeta e trufa, aliadas a taninos aveludados, faziam dele uma cuvée de exceção, apreciada pelos conhecedores.
Grands-Échezeaux Grand Cru: Reputada por sua profundidade e equilíbrio, esta cuvée revelava aromas de frutas negras, especiarias e sub-bosque, com um final longo e harmonioso. Ela encarnava a elegância e a fineza características do domínio.
Outras denominações: O domínio produzia também vinhos provenientes de climas renomados como Nuits-Saint-Georges, Vosne-Romanée e outras parcelas da Côte de Nuits. Essas cuvées, embora menos conhecidas, compartilhavam a mesma exigência de qualidade, oferecendo perfis aromáticos ricos e equilibrados.
O Domaine Charles Noëllat, embora adquirido em 1988 pelo Domaine Leroy, permanece uma lenda da Borgonha, cujos vinhos continuam a fascinar os amadores e colecionadores. Suas cuvées, provenientes dos terroirs de exceção de Vosne-Romanée, Romanée-Saint-Vivant, Richebourg e Grands-Échezeaux, encarnam a elegância e a complexidade dos grandes crus borgonheses. Graças à Maison Charles Noëllat, relançada em 2013 por Stéphane e Antoine, esse legado vitícola perdura através de safras raras e vinhos cuidadosamente selecionados. Comprar um vinho do Domaine Charles Noëllat é oferecer-se uma experiência única, uma viagem ao coração da Borgonha, onde cada garrafa conta uma história de paixão, tradição e excelência. Descubra agora esses tesouros vitícolas e deixe-se seduzir pela alma intemporal do Domaine Charles Noëllat.
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