A safra de 1964 impõe-se na Borgonha como um ano muito belo, generoso e solar, nascido de um verão quente e ensolarado que produziu uvas perfeitamente maduras. Os tintos (Pinot Noir) são as figuras maiores: ricos, carnudos e sedutores, com fruta brilhante e taninos integrados, dotados de uma bela profundidade, com realizações soberbas na Côte de Nuits (Gevrey-Chambertin, Vosne-Romanée, Chambolle-Musigny, Morey-Saint-Denis). Os brancos (Chardonnay) mostram-se amplos e saborosos, de Meursault a Puligny-Montrachet e Chablis. O potencial de guarda foi real, sustentado pela maturidade da safra. Mais de sessenta anos depois, os maiores tintos perfeitamente conservados ainda podem oferecer uma maturidade soberba, tornando-se a garrafa determinante. Entre o difícil 1963 e o fraco 1965, o 1964 figura entre os anos quentes mais belos da década.